O XXII Ciclo do Cenáculo Regional de Santarém contou com a presença de 50 participantes e foi totalmente organizado pela Equipa Projeto do cenáculo, este ano, composta por 12 caminheiros. Esta edição arrancou com um imaginário inesperado. Em vez da habitual receção calorosa, os participantes foram recebidos na fictícia República de Scalábia pela expressão severa dos ministros e o olhar vigilante do Grande Líder.
Num espaço que costuma ser sinónimo de debate e participação ativa, a ceia regional e os quebra-gelos decorreram sob cartazes que exaltavam a ordem e a submissão ao regime. “Este imaginário surge da vontade da Equipa Projeto de se afastar dos cada vez mais comuns imaginários de filmes ou de obras literárias”, explicou José Pedro Cordeiro, caminheiro do agrupamento 1120 – Cartaxo e um dos quatro representantes deste ciclo. “Queríamos ter a maior liberdade possível para conseguir adaptar o imaginário à mensagem que queríamos transmitir”.
A manhã de sábado trouxe os primeiros ventos de rebeldia à República de Scalábia. Às escondidas do Grande Líder, os ministros da Animação conduziram os participantes aos plenários, onde os Caminheiros puderam aprofundar os seus conhecimentos sobre suporte básico de vida, refletir sobre a intervenção política dos escuteiros e debater os riscos associados à inteligência artificial. Houve ainda espaço para trocar ideias sobre as diferenças entre gerações – o Tema de Auscultação Nacional escolhido pelos representantes dos vários ciclos e regiões no Encontro Fechado do Cenáculo Nacional.
“Há anos que oiço falar do Cenáculo, seja porque uns dizem que é muito giro, ou porque outros dizem que é a maior seca que alguma vez vais apanhar na vida”, partilha a noviça Mafalda Cardoso, do agrupamento 52 – Santarém. “Este ano participei pela primeira vez e acho que é uma atividade importante porque nos põe a pensar nos problemas que existem no mundo do escutismo e em soluções que podem ser implementadas dentro da nossa região”.
Durante a tarde, as ideias que ficaram de cada plenário deram lugar ao debate nos trabalhos de Tribo, onde se elaboraram propostas, objetivos e opiniões posteriormente discutidos no debate aberto, com todos os Caminheiros presentes. Ainda assim, foi após o Fogo de Conselho que a verdadeira revolução ganhou forma: a ordem transformou-se em alegria numa escape room que culminou na queda do Grande Líder Zé Pedro.
Por fim, no domingo, procedeu-se à votação da Carta de Cenáculo, aprovada com 61 votos a favor e 1 abstenção, e à passagem de testemunho, com a eleição de quatro novos representantes: Tiago Carrola (68 – Salvaterra de Magos), Mafalda Gaspar (1120 – Cartaxo), Jade Moita (1139 – Golegã) e David Molovan (52 – Santarém).
“Ser representante é escolher viver a atividade de maneira diferente. É deixar de ser um participante e passar a ter responsabilidade e voto na maneira como as coisas são feitas”, testemunha José Pedro Cordeiro. “Demos do nosso tempo para permitir aos participantes a melhor experiência possível e foi espetacular. Não posso deixar de agradecer a todos os representantes e EP que permitiram «fazer Cenáculo»”.
A atividade terminou com a habitual Eucaristia, celebrada pelo Assistente Regional.
A Carta de Cenáculo do XXII ciclo poderá ser consultada na página de Instagram do Cenáculo da Região de Santarém: Cenáculo Região de Santarém (@cenaculosantarem) • fotos e vídeos do Instagram












